Mané Chico

Na Década de 40 apareceu aqui em Resende Costa, um tal de Pantera. Apelido dado ao um cidadão de mais ou menos dois metros de altura, que se dizia adepto da nobre arte do box.

Na época, era o costume anunciar a chegada dos visitantes através do auto falante da localidade. Assim foi feito, a notícia de sua chegada despertou grande curiosidade na cidade que não havia outra diversão, a não ser o cinema poeira do Chiquito Vale, no Teatro Municipal.

Por coincidência, na mesma oportunidade, chegou em nossa cidade advindo de Lagoa Dourada uma pessoa bastante conhecida, o Mané Chico. Veio visitar seus parentes. Era uma pessoa muito boa, mas tinha um parafuso a menos. Muito forte, alto, desengonçado, fumava sem parar e não precisava de beber para aprontar esquesitices. Mané Chico gostava de usar paletó e chapéu panamá.

Vamos à luta. O Pantera estava esperando o seu adversário e ninguém da cidade se atreveu. Sobrou para Mané Chico a missão de lutar com Pantera. Para ficar mais forte ainda, o Lagoense comeu mais bananas e tomou de uma só vez, cinco litros de leite no dia da luta. Estava preparado o tablado pra a luta, armado na atual Praça Cônego Cardoso.

Mané Chico, calção de pano, pulou no tablado. Muito aplaudido tirou seu chapéu e jogou para o público presente. Começou o primeiro round: Que horror! Mané Chico levou um soco na barriga e caiu estatelado no chão, como um saco de abóbora. Adeus luta, muita decepção para o povo presente. Mané Chico voltou para sua terra e nunca mais quis saber de Box.

 

Tião Lima
Locutor

Economiário aposentado e  radialista em ação.

76 anos de experiência e lembranças verídicas, ou não, de Tião Lima!